Mercados mais atentos aos
rumos dos EUA
EDITORIAL
Publicada
em 11/08/2011 às 16h10m
Os mercados financeiros se movem influenciados por diferentes expectativas.
Os acontecimentos de hoje possivelmente pesarão menos amanhã sobre
a formação dos preços das ações, das
cotações das moedas e dos patamares das taxas de juros
que os sentimentos
predominantes, entre os principais atores
desses mercados, em relação ao
que poderá ocorrer no futuro próximo ou mais
distante.
Perplexos diante do desenrolar das negociações entre o governo Obama e a oposição republicana para a elevação do teto de endividamento do Tesouro americano, os mercados mergulharam
em uma fase
de muito pessimismo.
A reação dos últimos dias, especialmente nas bolsas de valores,
sem dúvida foi exagerada, mas não se pode
negar que existam motivos concretos para preocupação. O
próprio comunicado do
Federal Reserve, o banco central americano,
após a reunião do seu comitê de política
monetária (Fomc, na sigla em
inglês), denota que as autoridades projetam uma recuperação
mais lenta da economia dos Estados Unidos. Tanto assim
que o Fomc não espera alterar
substancialmente o patamar das taxas básicas
de juros (de zero a 0,25% ao ano) antes de 2013.
Embora exagerada, a reação
dos mercados financeiros soou como um alerta
mesmo para países emergentes. No caso do Brasil, é preciso que a política econômica reforce seus fundamentos positivos, de modo a manter a inflação
sob controle e as finanças públicas em ordem.
Do lado das contas externas, as reservas cambiais acumuladas no Banco Central tranquilizam os investidores estrangeiros, a ponto de o Brasil estar com perspectiva positiva nas mais
influentes agências classificadoras de risco, ao contrário dos Estados Unidos, que acabaram de perder o conceito máximo na escala
da Standard & Poor's, por sinal,
uma companhia americana.
Ainda que a queda de braço entre governo
e oposição nos Estados Unidos tenha sido o estopim
de toda essa onda de pessimismo, na verdade o mundo
tem mais razões para se preocupar com a Europa. A economia americana
tem reconhecido dinamismo e
uma insofismável capacidade de recuperação. Logo após a crise
de 2008, acreditava-se que os créditos e títulos
podres iriam corroer as instituições financeiras americanas e muitas delas acabariam
quebrando. Esse temor
desapareceu, e não é por falta de crédito
que os consumidores
andam retraídos.
Já na União
Europeia, as dificuldades, que antes se restringiam aos países periféricos,
hoje se estendem a economias de peso no bloco, sem solução
aparente, no horizonte. Até quando economias
emergentes conseguirão manter um ritmo de crescimento distanciado do que se passa nos
Estados Unidos, na Europa e no Japão? Trata-se de um novo quadro, para o qual não
é possível se arriscar uma resposta.
Nesse sentido, o mundo agora
ficará ainda mais atento aos
acontecimentos dos Estados Unidos, pois é de lá que pode
vir alguma brisa capaz de desanuviar o ambiente de pessimismo. Isso dependerá de um entendimento entre governo e congresso quanto aos rumos das
finanças públicas. Tal como o Brasil, os Estados Unidos
precisam melhorar, e muito, sua política
fiscal, evitando o déficit crônico.