Dada a largada para campanha nos EUA

 

EDITORIAL

 

06/04/2011

 

A 19 meses das eleições nos EUA, a campanha eleitoral pega fogo. O presidente Obama lançou-se à reeleição à sua maneira, high-tech, por de e-mails e vídeo. Seu objetivo é reenergizar seus partidários, colaboradores, voluntários e doadores que fizeram a diferença em 2008, de olho nos eleitores independentes e numa arrecadação recorde para a campanha. três anos, as hostes obamistas levantaram US$ 750 milhões; quem ache que consigam, até a reta final, em 2012, US$ 1 bilhão.

 

Ontem, o governo federal estava ameaçado de shut down (parar, em tradução não literal) em meio a uma encarniçada negociação com os republicanos no Congresso em torno do Orçamento. O Obama candidato é bombardeado pela oposição, disposta a levar o governo ao colapso por falta de fundos, a não ser que concorde com pesados cortes adicionais. Fica claro que os republicanos, no momento ainda sem pré-candidatos viáveis, têm no Orçamento sua maior arma eleitoral.

 

Isto faz lembrar situação parecida vivida por outro presidente democrata, Bill Clinton, que também teve de reduzir as atividades do governo ao mínimo num impasse orçamentário com a oposição. Tanto naquela ocasião como agora, os republicanos haviam se revigorado com vitórias nas eleições de meio de mandato.

 

Clinton alterou o curso, deu a volta por cima e se reelegeu. A seu favor, teve o mais longo período de crescimento da economia americana. E conseguiu encerrar a maior guerra em que os EUA, através da Otan, se envolveram na época, na ex-Iugoslávia. Obama, ao contrário, enfrentou a Grande Recessão, a maior crise do capitalismo desde o crash de 1929 e a depressão que se seguiu nos anos 30. Além disso, teve de se haver com duas guerras herdadas dos governos Bush, no Iraque e no Afeganistão. Conseguiu desatolar os EUA da primeira, ainda enfrenta uma situação muito complicada na segunda e se empenha para livrar o país de uma terceira, na Líbia, sem deixar de apoiar seus aliados contra o ditador Kadafi.

 

As chances de Obama dependem muito, portanto, da recuperação da economia americana. A chave é o índice de desemprego, que teima em se manter elevado mesmo com a melhoria geral do ambiente de negócios. Mas, no mês passado, os EUA criaram 216 mil postos de trabalho, o que reduziu a taxa de desemprego de 8,9% para 8,8% - pouco, mas acenando com tendência positiva.

 

Outra aposta de Obama, ainda totalmente em aberto, é a política externa. O estilo smart power, em oposição à truculência de Bush, passa agora por seu grande teste nas revoluções no mundo árabe. Tunísia e Egito evoluíram favoravelmente, mas o grande desafio no momento é a Líbia. O pior seria a divisão do país e/ou o prolongamento da presença ocidental, o que poderia despertar forças islâmicas radicais. E ainda situações difíceis em Iêmen e Bahrein

 

O presidente embarcou na campanha à reeleição apenas um pouco antes do que fizeram Bush e Clinton. Mas, por enquanto, sua maior preocupação é saber se terá dinheiro para fazer o governo funcionar. Se depender dos republicanos, o tamanho do governo, hoje equivalente a 23% da economia americana, cairá para 20% até 2015 e 15% até 2050. Isto está fora dos planos de Obama.