Para governo e empresários, mau momento de Obama nos EUA limita avanços
na redução
de barreiras tarifárias
Eliane Oliveira, Gerson Camarotti e Regina Alvarez
21/03/2011
BRASÍLIA - A debilidade política do presidente Barack Obama nos Estados Unidos limitou os avanços
na agenda econômico-comercial durante a visita oficial ao Brasil, avaliam
governo, analistas e empresários brasileiros. Sem forças para
aprovar no Congresso americano projetos como a reforma do sistema de saúde e o Orçamento, Obama não deu sinais de nenhum
avanço concreto sobre demandas centrais endereçadas pela presidente Dilma Rousseff: redução de barreiras comerciais a produtos brasileiros e mudança de orientação nas ações que visam
à recuperação dos EUA, cujo efeito colateral
é a diminuição da competitividade
brasileira.
( Obama elogia democracia
no Brasil e diz que esse é o caminho
para salvar a Líbia )
Ainda assim, a avaliação geral é que a viagem foi
carregada de simbolismos positivos, como o apreço pela pretensão
brasileira a uma vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU - gesto considerado
uma vitória pelo Planalto e pelo Itamaraty -; o reconhecimento do Brasil como liderança global, em pé de igualdade
com China e Índia; e a definição
do país como parceiro estratégico na área de energia
e nos investimentos.
Por mais que
Dilma tenha sido assertiva em seu discurso
na defesa
da abertura do mercado a produtos como etanol,
suco de laranja e aço, o Executivo dos EUA não tem poder
para decidir sobre tarifas e subsídios. Além disso, o lobby de
setores como
o agrícola e o siderúrgico
é bastante forte entre os congressistas.
As ações
macroeconômicas dos EUA, que mantêm o dólar
fraco, não serão alteradas. A indústria brasileira,
que enfrenta a forte concorrência dos chineses no mercado interno e em outros mercados,
não consegue manter suas exportações
ao mercado americano, e o Brasil já amarga déficit
comercial com aquele país de quase US$ 8 bilhões ao ano.
Para o ministro
do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, cuja pasta é responsável pela maior parte
dos temas econômicos tratados na visita
de Obama, o fato de não ter havido grandes
avanços na agenda econômica proposta pelo Brasil não
deve ser visto como frustração:
- Em
uma viagem desse tipo não
se deve esperar um efeito imediato. É o início de um processo
numa relação de prazo mais longo.
Houve sinalizações concretas na
direção que imaginávamos. E isso
vai prosperar.
A própria
reforma do Conselho de Segurança da ONU, na qual
se encaixa a pretensão brasileira de ser o sexto membro permanente, continua mergulhada em dúvidas.
Isso porque os países-membros da ONU travam debates mornos a respeito, e uma revisão e ampliação
do conselho, segundo especialistas, só deverão acontecer a partir de 2014.