Próximo presidente
dos EUA terá que economizar muito
Postado por William Waack em
22 de Setembro de 2008 às 19:58
Não
há nada que Obama ou McCain possam fazer, a não ser esperar pela hora
de assumir a presidência
com as mãos amarradas. Possivelmente os próximos quatro anos estão sendo
decididos agora, nas conversas do Secretário do Tesouro (que pede
poderes extraordinários para si e seu
sucessor) com o Congresso –
prova eloqüente disso é a resistência dos democratas ao pacote oferecido
por Bush.
Mesmo que os detalhes da salvação
governamental acabem sendo aprovados por consenso (e os mercados, nesta
segunda, mostraram que não acreditam
nisso), é impossível fugir ao essencial:
o próximo presidente americano terá de economizar muito (esqueçam as promessas de corte de impostos, feitas pelo próprio
Obama) e gastar pouco.
Neste estágio da campanha eleitoral, nenhum dos dois parece disposto a dizer que será
obrigado a exigir sacrifícios da população e, depois de um período muito duro,
ainda mais sacrifícios. Os americanos estão acostumados há mais de uma
década a viver acima dos seus meios, e até agora foram financiados pelo mundo inteiro.
É tal a desordem que a crise está
trazendo, a ponto do próximo presidente provavelmente não ter resposta para
a pergunta que todos se fazem: ele assume o governo de um país em inexorável
declínio ou, ao contrário, essa
crise prenuncia mais um ciclo de inovação tecnológica (energia, por exemplo)
e absorção de cérebros do mundo inteiro?
É importante observar neste ponto que
China e outros em nenhum momento pareceram interessados em “afundar” um rival – à diferença da Grande Depressão do século passado, pelo menos
na cabeça dos principais dirigentes não existe a noção
de que a derrota de um é a vitória de outro. Ou seja, é uma
economia globalizada – na qual o papel
dos estados nacionais
continua importante, é só levar em conta
como depende de governos a reordenação do sistema financeiro internacional.
A curto prazo os
custos com os quais o governo americano terá de arcar para montar
um pacote de salvação com muita probabilidade acelerarão a saída das tropas americanas do Iraque. Não dependerá
da vontade de McCain ou Obama (que, aliás, já apresentavam
pouca divergência de fato antes mesmo da catástrofe financeira
de setembro de 2008). Mas dependerá deles o tipo de liderança política que raramente surge na história.
O exemplo clássico aqui vem do próprio
país deles. Franklin Roosevelt ficou
valendo, depois da Grande Depressão, como o presidente que soube juntar
visão de longo prazo com expediente político de curto prazo. Obama e McCain estão diante exatamente desse desafio: entender o alcance e profundidade da crise, separar o que realmente conta
a longo prazo e enfrentar um árduo período de severas dificuldades.
Por
enquanto, ambos parecem pequenos diante do cataclismo.