O capitalismo
avança
18/09/2008
A crise financeira atual é bem diferente
das outras.
Ela é muito mais global e muito mais rápida.
Mas, ao contrário
do canto das cassandras que
até hoje choram o fim da
história e a consolidação da economia de mercado como
a mais capaz de organizar a produção de forma eficiente e progressista, ele não enfraquece
o capitalismo. Pelo contrário, o fortalece.
A prova
maior dessa força é que são
os Estados Unidos do liberal George W. Bush e de seu
secretário do Tesouro, Henry
Paulson, ex-executivo do Goldman Sachs, que conduzem intervenções
estatizantes em ícones de Wall Street. A mensagem
não é "a intervenção estatal é a solução", mas 'somos pragmáticos, não somos sectários,
vamos intervir quando necessário".
O que
vivemos hoje é mais um capítulo das crises cíclicas do sistema capitalista, esta parida num caldo explosivo de crédito farto e barato, avanços extremos na engenharia financeira
e na desregulamentação dos mercados e grandes reservas de capital de países asiáticos e petroleiros em busca de papéis
para investir.
Depois que o elo mais fraco dessa
corrente financeira global (os empréstimos imobiliários de baixa qualidade nos EUA,
chamados "subprime") partiu,
o sistema entrou em colapso.
Já há consenso
de que a grande desregulamentação dos mercados nos EUA permitiu
excessos talvez até criminosos dos magos de Wall Street. Os "mestres
do universo", tão bem retratados e ironizados por Tom Wolfe no impagável "Fogueira das Vaidades", estão agora pagando o preço, perdendo seus cargos, seus bônus multimilionários,
sua aura vitoriosa. E seus bancos.
Mas não há
alternativa à economia
liberal, por pior que ela possa
parecer, como
profetizou Francis Fukuyama nos
anos 1990. E os
exemplos estão por toda a parte. A China,
por exemplo, avança tanto porque
deixa o centralismo econômico e abraça o capitalismo, assim como a Índia,
o Brasil, a Irlanda, a África.
O capitalismo
agora se depura, se aperfeiçoa.
A regulação sobre os mercados aumentará, até que novos
avanços na engenharia financeira consigam driblá-la em busca do ganho
maior, gerando sua próxima crise.
Assim caminha a humanidade.
Como disseram
Marx e Engels no "Manifesto Comunista" de 1848,
em menos de um século, o sistema capitalista gerou forças mais colossais
do que todas as gerações precedentes combinadas.
Ou, parafraseando Churchill, o
capitalismo é o pior sistema econômico já inventado, com a exceção de todos
os outros que foram tentados
até aqui.
As alternativas
são a Coréia do Norte, Myanmar,
Cuba, a Rússia neoczarista,
a Venezuela chavista, a Bolívia
moralista... Prefiro Nova
York.