Barack Obama
Um amigo meu
encomendou, via Amazon, uma
camisola de apoio a John
McCain. A camisola veio, ele vestiu-a
e foi trabalhar. Nada o preparava para o espectáculo posterior: colegas e
amigos olhavam para ele com um esgar de incompreensão e nojo. A coisa foi tão
ostensiva que, a meio da tarde,
ele resolveu mudar de roupa para não arranjar
sarilhos num meio maioritariamente artístico, ou seja, de esquerda.
O episódio
é interessante porque revela o quadro mental em que a
esquerda usualmente chafurda. Creio que foi Roger Scruton
quem o resumiu na perfeição: quando
um "conservador" critica
um "progressista", ele
parte do pressuposto de que
o adversário está errado. O critério é epistemológico, não ético. Mas quando
um "progressista" critica
um "conservador", o julgamento
é moral; e o adversário, um simples inimigo.
Naturalmente que existem
todas as excepções do mundo. Mas as excepções
confirmam a tese: o pluralismo não entra na cabeça
de uma esquerda moralista e intolerante. Foi precisamente esta arrogância moral da esquerda, a que se junta uma óbvia falta de sentido de humor, que fizeram de mim uma pessoa à direita.
E McCain? E Obama? Sim, gostaria que
McCain ganhasse. E ainda acredito que McCain vencerá: as sondagens sempre inflacionaram os Democratas (lembrar Carter contra Reagan). Mas
não me repugna que Obama vença. O que ouvi dele sobre
política externa (Afeganistão, Paquistão, Irão) chega e sobra
para adivinhar duas fatalidades. Primeiro, que a
esquerda vai ter uma desilusão
profunda com o Santo Obama (para
meu infinito riso). E, segundo, que Obama será um digno representante da América democrática
e livre de que eu tanto gosto.