Obama e McCain
9 de Jun de 2008
Para mal -
e para bem - dos nossos pecados, ambos são americanos e contra isso nada se pode. Começa por
quem não for americano não ter
direito a votar em Novembro, na
escolha entre os dois - grande
injustiça porque o que o quadragésimo quarto presidente dos Estados Unidos vier a decidir
poderá afectar mais estrangeiros do que compatriotas seus. Que o digam
os sérvios do tempo de Bill
Clinton e os iraquianos que George Bush passará em Janeiro para a tutela do seu sucessor.
Ou que o digam franceses, italianos, belgas, holandeses, ingleses, etc., até alemães, libertados
da opressão ou da ameaça
de Hitler em 1945. Sem esquecer, entalada entre a Segunda Guerra Mundial e
a Nova Ordem Internacional,
a Guerra Fria que os americanos ganharam, levando os europeus
à boleia. O mundo está a mudar muito
depressa mas palpita-me que, pelo menos por
mais uns vinte anos, fora
dos Estados Unidos se continuará a lamentar não poder ter
voz na escolha
do inquilino da Casa Branca, que permanecerá
a pessoa mais poderosa do mundo.
Sobre a preferência exterior desta
vez não há
dúvidas.
Sondagens numa dúzia de países da União Europeia
são semelhantes e inequívocas: de ingleses a gregos, se fossem os europeus a votar,
Barack Obama seria o próximo
presidente dos Estados Unidos. Se fossem
os paquistaneses, também. Há semanas, Fidel Castro escreveu no
jornal do partido que embora ainda
longe do ideal, Obama seria
preferível a qualquer dos outros. Não ouvimos ainda
de Amahdinejad, mas não me espantaria que de lá viesse
encómio. E, na
China, num inquérito por
Internet a que na quarta-feira já tinham respondido vinte mil pessoas, 55% achavam que ele
ia ganhar, 32% achavam que não
e 13% achavam a pergunta difícil. A América precisa de vez em quando de um chefe que lhe
arrebate a alma. No século XX calharam-lhe Roosevelt,
Kennedy e Reagan. Agora, depois de
Nine/Eleven e das aldrabices de Bush, precisa doutro, e McCain para isso não
dá. O problema é que Obama talvez dê demais, isto
é, a sua eloquência é magnífica mas terá
os pés bem
firmes na
terra (como Roosevelt, Kennedy e Reagan tinham)?
Entretanto, para lá
de inspiração, há diferenças e semelhanças importantes.
McCain quer vitória militar no Iraque; Obama quer negociar - se o fizesse com mão segura, Obama seria
melhor para a América e para o mundo. Enfeudado aos sindicatos,
Obama é proteccionista; McCain é pelo
comércio livre - mais proteccionismo americano iria fazer muito mal à América e ao mundo,
por isso McCain seria melhor. Quanto a semelhanças, ambos se entusiasmam com a ideia de uma grande
organização internacional, só de democracias, que desse nova ordem moral ao planeta. Projecto que iria desacreditar as Nações Unidas, enfraquecer a NATO e soprar sobre as mesas de negociação internacional uma dose asfixiante de correcção política. Aí, ambos são péssimos mas
de fora nada se pode fazer. Talvez outros americanos
- felizmente há alguns - convençam o vencedor a mudar de ideias.